← BACK TO THE BLOG
INCOME

Você está cobrando pouco: os dados que provam isso

Luis Goncalves/6 MIN READ/26 DE OUT. DE 2026

70% das empresas de SaaS poderiam subir preços sem perder vendas (OpenView). Por que você cobra pouco, quanto isso custa e 4 passos para corrigir já.

Quase 70% das empresas de SaaS acreditam que poderiam aumentar os preços sem afetar significativamente o volume de vendas, segundo o relatório SaaS Benchmarks da OpenView. Sete em cada dez — e elas sabem disso. Só não fazem. Você provavelmente está nesse grupo. Aqui está a prova, o que cobrar pouco realmente te custa, e quatro passos para corrigir isso esta semana.

Por que profissionais inteligentes cobram pouco

A resposta óbvia é medo. Medo de que ninguém pague. Medo de parecer ganancioso. Medo de perder os poucos clientes que você tem. Mas o motivo real é mais profundo: a maioria das pessoas define preço com base no que ela mesma pagaria, não no que os clientes pagariam. Você olha para o seu produto, pensa no seu próprio orçamento e define um preço que parece confortável para você.

Isso é de trás para frente. E você sabe que é — porque jamais cometeria esse erro no mundo corporativo. Você nunca precificaria um produto com base no seu orçamento pessoal. Precificaria com base no valor que ele entrega ao cliente. Mas, por algum motivo, quando o produto é seu, as regras mudam. A confiança some.

Você não é o seu cliente. Você é alguém construindo por fora, contando cada real. Seus clientes podem ser empresas que gastam R$ 3.000 por mês com café no escritório sem piscar. Ou profissionais cuja hora vale R$ 1.200, e sua ferramenta economiza 10 horas por mês para eles.

Quando dou aula na Porto Business School, vejo isso em todas as turmas. Pessoas inteligentes e capazes — gente que comandou departamentos e administrou orçamentos — que constroem valor real e depois cobram R$ 54 por mês, porque é o que elas pagariam por uma assinatura do Spotify. Uma assinatura do Spotify não é o seu produto.

O custo real de cobrar pouco

O que ninguém te conta sobre cobrar pouco — em números:

O que aconteceOs dados
Você atrai os clientes erradosClientes conquistados com descontos pesados têm 62% mais chance de cancelar no primeiro ano (ProfitWell)
Você não consegue investir no produtoEmpresas que cobram 40% abaixo do mercado investem 35% menos em P&D e suporte (Tomasz Tunguz, Redpoint Ventures)
Você sinaliza baixa qualidadeClientes usam o preço como indicador direto de qualidade em SaaS (Journal of Consumer Research)
Você não consegue subir o preço depoisAumentos acima de 20% provocam picos de cancelamento de 15–30%

Clientes baratos são os mais exigentes e os menos fiéis — vão embora para a próxima opção barata assim que ela aparecer. Menos receita significa menos investimento, que significa um produto pior, que significa mais cancelamentos. É uma espiral da morte. E, quando você cobra R$ 54 por mês, não está dizendo "sou acessível". Está dizendo "não sou muito bom".

Quão preso você está, de verdade? Faça o Índice de Sufocamento Corporativo (CSI) — avaliação gratuita de 10 minutos em 5 dimensões

Os números que mudaram minha cabeça

Quando eu estava precificando a Metodologia ADAPT, passei semanas na faixa baixa. Projetos de transformação por R$ 60.000–120.000. Parecia razoável. Parecia seguro. Você conhece essa sensação — já viu empresas onde trabalhou se encurralarem cobrando pouco, e viu o que acontece quando a estratégia é "ganhar no preço" em vez de "ganhar no valor".

Aí eu olhei os dados. Um estudo da Bain & Company mostrou que empresas de SaaS que articulam e quantificam claramente o seu valor cobram preços 25–45% mais altos do que as que não fazem isso. A diferença não é o produto. É a confiança para dar nome ao valor. Uma pesquisa da Harvard Business School mostrou que uma melhora de 1% no preço leva a um aumento de 11% no lucro operacional. Não 1% a mais de lucro — onze por cento. Preço é a alavanca mais poderosa que você tem no seu negócio. E o golpe final, da ProfitWell: pessoas que têm uma impressão muito positiva de uma marca estão dispostas a pagar 25–30% a mais do que efetivamente pagam. Seus melhores clientes — os que te adoram — já estão dispostos a pagar mais.

Eu tripliquei meus preços. Não aos poucos — tripliquei. E sabe o que aconteceu? Consegui clientes melhores. Menos, sim. Mas mais comprometidos, menos exigentes, e que ficaram mais tempo. A receita subiu. O estresse caiu. Depois de anos com outra pessoa decidindo quanto vale o seu tempo, esta é a parte que parece diferente: você define o número. Você decide o valor.

Como saber se você está cobrando pouco

Um diagnóstico rápido. Seja honesto consigo mesmo. Você quase certamente está cobrando pouco se:

  • Os clientes dizem sim rápido demais — sem hesitar, sem negociar, compra imediata. Isso não é validação; é dinheiro deixado na mesa.
  • Todo mundo diz que é "barato". Quando 100% dos compradores elogiam seu preço, o preço está errado.
  • Você não tem condições de dar o suporte adequado aos clientes. Se está economizando em suporte, documentação ou desenvolvimento porque a receita está apertada, o problema é o preço — não o seu esforço.
  • Seus concorrentes cobram 3–5x mais por um produto parecido. Alguma diferença de preço é estratégia. Uma diferença de 5x é medo.

Você talvez esteja com o preço certo se uns 10–20% dos potenciais clientes sérios dizem "está caro" — mas compram mesmo assim; se você perde alguns negócios por preço, mas ganha por valor; e se consegue reinvestir 20% ou mais da receita no produto. Essa zona de desconforto de 10–20% é onde vive um preço saudável.

O que fazer a respeito (esta semana)

Não vou te mandar multiplicar seus preços por 10 da noite para o dia. Isso é bobagem de guru. Mas eis o que eu faria esta semana:

  1. Calcule o valor que você entrega. Horas economizadas. Receita gerada. Risco evitado. Coloque um número nisso — você já montou business cases antes; é a mesma habilidade aplicada ao seu próprio produto.
  2. Cobre de 10% a 20% do valor que você cria. Se você economiza R$ 6.000 por mês para um cliente, deveria cobrar R$ 600–1.200. Não R$ 114. Começando do zero? Use o framework de precificação sem dados.
  3. Aumente seu preço atual em 20% para todos os clientes novos. Mantenha os clientes atuais onde estão, por enquanto.
  4. Observe o que acontece. Se nada mudar — se os clientes continuarem se cadastrando no mesmo ritmo —, aumente de novo em 90 dias e acompanhe o efeito nas métricas que realmente importam.

O porém

Sim, algumas pessoas vão embora. Alguns potenciais clientes vão dizer não. É justamente essa a ideia. Se você nunca ouve "está caro demais", nunca vai saber quanto seu produto realmente vale. E vai passar anos construindo um negócio que gera receita, mas nunca lucro.

O desconforto de cobrar mais é temporário. O custo de cobrar pouco é permanente. Você não abriu mão da segurança de um salário corporativo para construir outro emprego que não te paga o que você vale. Você construiu algo valioso. Cobre à altura.

O livro A Revolução do EUpreendedor, de Luis Gonçalves — construa enquanto ainda está empregado, saia quando estiver pronto. Disponível em eBook e livro impresso

Perguntas frequentes

Como saber se estou cobrando pouco?

Os sinais mais claros: clientes dizem sim na hora, sem negociar nada; 100% dos compradores chamam seu preço de "barato"; você não consegue bancar um suporte decente; ou concorrentes cobram 3–5x mais por um produto parecido. Preço saudável significa que 10–20% dos potenciais clientes sérios dizem "está caro" — e compram mesmo assim.

Quanto devo cobrar pelo meu SaaS?

Cobre de 10% a 20% do valor que você cria. Se seu produto economiza R$ 6.000 por mês para um cliente, cobre R$ 600–1.200 — não R$ 114. Calcule horas economizadas, receita gerada e risco evitado, e coloque um número nisso.

Aumentar o preço vai fazer meus clientes irem embora?

Alguns — e aumentos acima de 20% provocam picos de cancelamento de 15–30%. Por isso a jogada segura é aumentar 20% só para clientes novos, manter os atuais onde estão e aumentar de novo em 90 dias se os cadastros continuarem estáveis.

Preço baixo sinaliza mesmo baixa qualidade?

Sim. O Journal of Consumer Research mostrou que clientes usam o preço como indicador direto de qualidade ao avaliar um SaaS. Um preço de R$ 54 por mês não diz "acessível" — diz "não muito bom".